Famílias de comunidades ribeirinhas de Rondônia, Acre, Mato Grosso e Tocantins têm as vidas transformadas com a instalação de centenas de placas solares

Até março deste ano, a comunidade de Terra Firme, localizada à margem do rio Madeira (principal rio do estado de Rondônia), nunca havia sentido cheiro de pão fresquinho de manhã. Sem energia elétrica até então, era impossível assar a massa de madrugada para obter fornadas logo cedo. Pão, quando tinha, era à tarde, se o gerador a gás – e o dinheiro para comprá-lo – permitisse. Por conta disso, o sonho de Maria de Fátima em abrir uma padaria nunca pôde ser realizado. Até agora.

Maria de Fátima pertence a uma das 30 famílias de Terra Firme que ainda não tinham energia elétrica e que receberam pela primeira vez, entre março e abril deste ano, energia 24 horas por dia. Com foco em universalizar o acesso à energia, a Energisa instalou placas de energia fotovoltaica nas casas dos moradores locais – iniciativa que vai ao encontro de um dos principais pilares do Grupo Energisa: a sustentabilidade. 

– Sou formada em confeitaria e nunca pude exercer o que eu amo. A energia é fundamental para poder trabalhar à noite e vender o pão fresquinho para os clientes de manhã cedo – afirma Maria de Fátima, que também é presidente da associação de moradores de Terra Firme. – A gente vem pedindo energia para a comunidade há algum tempo. Temos fartura de comida, mas não tínhamos como armazenar, perdíamos muita coisa. A luz ter chegado esse ano foi uma bênção.

Nessa nova etapa das ações de universalização, o objetivo é, além de promover o acesso à energia, fazer isso com fontes renováveis. Ou seja, levando energia limpa, com zero emissão de carbono, por toda a Amazônia Legal. A previsão é a instalação de três mil placas, distribuídas por Rondônia, Acre, Mato Grosso e Tocantins. 

Incrustadas no meio da mata, as casas – em sua maioria, ribeirinhas – eram de difícil acesso e, principalmente, catalogação. O sistema foi a alternativa concebida pela Energisa para levar energia elétrica aonde não era possível chegar com uma rede tradicional. Para iniciar o programa, a Energisa mapeou a região através de fotografias tiradas por satélites, que detectavam cada telhado que aparecia nas imagens. Com essas informações e a ajuda de um GPS, equipes percorreram a região de carro, barco e até a pé para encontrar as casas que os pedaços de teto indicavam.

Cada punhado de telha visto de cima, porém, não significava necessariamente uma casa. Em suas incursões, os técnicos da Energisa encontraram muitas porteiras de terrenos e bebedouros de boi no caminho. Quando uma casa era achada, fazia-se o cadastro do local através dos nomes dos moradores, CPFs e imagens da moradia a fim de calcular quantas placas solares seriam necessárias. A estratégia do uso do satélite se mostrou compensatória, com uma taxa de 57% de sucesso. 

– Alugamos um barco-hotel por duas semanas para conseguirmos fazer as primeiras ligações em Terra Firme. É praticamente impossível levar a rede elétrica tradicional até lá. A mata é fechada, são muitos rios, então, as placas fotovoltaicas eram a forma mais inteligente e eficiente – explica Alfredo João de Brito, gerente de construção e manutenção da Energisa em Rondônia. 

Além disso, as placas representam uma grande economia para a população. Segundo Brito, para se manter, algumas pessoas tinham até dois geradores a carvão, que funcionavam apenas três horas por dia, a um gasto mensal de R$ 400. Agora, com as placas solares, elas têm energia durante 24 horas por cerca de R$ 22 por mês. Moderno e sob medida para a região, o sistema foi calculado para funcionar em harmonia com o clima local e poder garantir o consumo de 80KW, alcançado com o uso de eficientes lâmpadas LED fornecidas pela Energisa. Para os – raros – dias sem sol, a bateria possui até 36 horas de autonomia.

– Tivemos 100% de aderência da população. Os moradores das comunidades são extremamente trabalhadores, produtivos, e já começaram a empreender desde que a energia chegou – conta Brito.

Além de Maria de Fátima, o barbeiro Jorge, de 36 anos, comemora a significativa mudança que a energia fará em seu negócio:

– Trabalho como barbeiro desde os meus 16 anos. Moro aqui desde que eu nasci. Tínhamos um gerador, que ligávamos pra poder trabalhar. Mas agora vai ficar bem melhor, vai aumentar a clientela. 

Outro negócio que surgiu com a chegada da energia foi o comércio de polpas de frutas. Apesar de abundantes, as frutas logo pereciam, tornando impossível o armazenamento de suas polpas para sucos e doces, por exemplo. 

Focado em levar energia limpa para toda a Amazônia Legal, muitas famílias terão a vida transformada. Estão previstas 1.368 ligações em 2022 com fonte renovável em casas que ainda não tinham acesso a energia.

–  Aqui no estado, a nossa prioridade é a população ribeirinha. É emocionante ver a transformação que estamos proporcionando para essas famílias – afirma José Adriano, diretor-presidente da Energisa no Acre.

Segundo ele, o método utilizado foi dividir o estado do Acre em quadrículos de 1km². Com a assistência da mesma tecnologia por satélite usada em Rondônia, os telhados são identificados e, assim, o técnico, munido de um GPS, faz uma ronda em cada quadrículo demarcado no mapa atrás das casas detectadas pelas imagens aéreas. As famílias são cadastradas e o processo de levar as placas solares é iniciado.

– É muito desafiador, mas temos um time aguerrido, que não tem medo de calçar a botina no pé. Vamos fazer história nos próximos dois anos aqui no Acre – prevê, com entusiasmo, José Adriano.