Empresa ajustou processos para proteger colaboradores e clientes contra Covid-19, mas não parou obras. 19 mil clientes, entre os quais 6 mil em área rural, passaram a ter energia desde que empresa chegou ao estado. Regularização de rede alcançou 38 mil ligações por “rabichos”

Mesmo na pandemia, Rondônia é um dos estados que mais crescem no Brasil. Nunca teve, porém, uma infraestrutura de energia que suportasse seu desenvolvimento. Porto Velho, Cujubim, Ariquemes, Jaru, Ji-Paraná, Rolim de Moura, Cacoal, Espigão D’Oeste, Pimenta Bueno e Vilhena, municípios que respondem pela maior parte da produção industrial local, cresceram a despeito desse cenário adverso. Para muitas localidades, a oferta de eletricidade sempre foi um limitador importante. 

Na entrevista abaixo, o diretor técnico da Energisa, Fabrício Sampaio, mostra como a empresa se organizou para suprir essa carência com elevados investimentos em localidades como Jaru, Alvorada do Oeste, Presidente Médici, entre outras. Até o fim do ano, a empresa que chegou no estado há menos de dois anos, terá inaugurado 19 infraestruturas novas. São subestações e linhões novos, e unidades antigas modernizadas, automatizadas e com capacidade ampliada. Eletricidade que está chegando a empresas e já incluiu no sistema 57 mil clientes, dos quais 6 mil rurais, 13 mil novos clientes urbanos e 38 mil ligações irregulares, os chamados “rabichos”.

Veja o que Sampaio, que é rondoniense e voltou ao estado para encarar essa empreitada, conta sobre o investimento de R$ 1 bilhão do grupo. “Rondônia é hoje o principal destino dos investimentos da Energisa no país. Estamos levando infraestrutura nova para atender a população e gerar empregos no estado”, comemora. 

Quais os principais investimentos que a Energisa está realizando? 

Fabrício Sampaio: Tem muita coisa. Estamos construindo 21 novas subestações, reformando as mais de 50 já existentes, implantando redes de internet por rádio e fibra ótica para melhorar a comunicação entre nossas equipes. Só esse ano, mesmo com a pandemia, serão R$ 500 milhões em investimentos. Uma parte disso está indo para grandes obras como as sete subestações novas que serão entregues esse ano e os respectivos linhões, mas há muita coisa que não aparece, mas tem reflexo imediato na qualidade, como o investimento em equipamentos que ligam e desligam a rede automaticamente. 

E o que já foi entregue?

As subestações de Presidente Médici, Alvorada do Oeste, Corumbiara e Nova Dimensão já estão prontas e em funcionamento. Também terminamos uma obra importante dentro da subestação da Eletronorte em Jaru. Até o fim do ano, serão entregues Chupinguaia, São Miguel, Seringueiras, São Francisco, São Domingos e Costa Marques. São obras grandes. Estamos fazendo um grande esforço para manter o ritmo das obras tomando todas as medidas de segurança obrigatórias em função da pandemia. 

O que mais será entregue esse ano?

Tem muita coisa. Além das novas subestações, estamos reformando e ampliando a capacidade das já existentes. Isso inclui aumentar a oferta e reforçar as linhas que levam a energia até a subestação e de lá para as casas e as indústrias. 

Vocês estão conseguindo manter o cronograma de obras apesar da pandemia? 

Sim. A distribuição de energia é um serviço essencial. Fizemos alguns ajustes nas equipes e aumentamos as medidas de segurança e higienização para manter a operação, os projetos e o cronograma de entrega. 

E existe demanda para tanta energia mesmo nesse cenário de pandemia e crise econômica?

Rondônia ficou anos sem investimento e tem uma demanda reprimida por energia muito alta. O aumento da oferta em Espigão do Oeste, por exemplo, ampliou em 1 MVA a energia consumida. É como se 4 mil casas populares tivessem decidido acender a luz. 

Mas a qualidade da energia vai melhorar?

Já melhorou e vai melhorar mais. A soma de todas as faltas de energia nos primeiros seis meses do ano, foi 30% menor que no mesmo período do ano passado, por exemplo. Agosto de 2020 foi o melhor mês de agosto dos últimos seis anos, lembrando que é sempre um período crítico devido ao aumento da demanda pelo calor, à seca. 

E as reclamações que ainda existem? 

O sistema elétrico é suscetível a interrupções ocasionais provocadas por chuvas, descargas elétricas e até mesmo acidentes de trânsito, mas nossos indicadores de reclamação também estão em queda desde 2019. Nos seis primeiros meses do ano, o número de reclamações ficou 40% abaixo do mesmo período do ano passado. 

Que outros procedimentos a Energisa realiza para evitar a falta de energia enquanto essas obras não são entregues?

Além das obras, que melhoram a qualidade e a oferta de energia, e da automação da rede, que agiliza os procedimentos de religação quando algum fator externo como um animal desliga o sistema, também estamos fazendo manutenções preventivas, podas de árvores e, em algumas localidades, colocando equipamentos temporários que aumentam a oferta de energia.