Projeto teve apoio renovado pela Energisa e também faz a inclusão de deficientes visuais em concertos musicais

O Instituto Ciranda, projeto realizado em Mato Grosso, está desenvolvendo um trabalho que oferece cursos de músicas para alunos surdos no Centro Estadual de Atendimento e Apoio ao Deficiente Auditivo (CEAADA).

As aulas tiveram início na pandemia, de forma on-line atendendo jovens e adultos. Nessa turma, eram atendidos alunos até de fora da cidade. Porém, com a volta presencial das aulas presenciais, o Instituto uniu forças com o CEAADA levando até a escola professor, intérprete e instrumentos para poder atender os alunos. Atualmente, são atendidos 23 alunos com a faixa etária entre 9 e 12 anos, que são acompanhados pelas professoras da escola, uma professora de música e uma intérprete de língua de sinais.

De acordo com Jill Margarete, professora licenciada em música e mestranda em estudos de cultura contemporânea, essas aulas exigem bastante concentração e memorização. E como a aula prende a atenção, os alunos conseguem desenvolver o cognitivo e a coordenação motora. “Eu busquei trazer pedagogos que trabalhassem muito a questão do corpo e movimento para que eles sintam, já que não escutam. Trabalho com atividades lúdicas e de imitação para que eles sintam, reproduzam e aprendam os formatos musicais com figuras simples” diz Jill.

João Lucas, de 16 anos, é um dos alunos do projeto. “Estou participando da aula de música para surdos do Instituto e achei muito bom. Quero voltar mais vezes para participar das aulas e vivenciar isso. Observar a professora me faz aprender muito”, comentou. Maysa Feleiro, intérprete de libras, explica que “mesmo com a falta da audição, tem pelo menos o visual que é mais aguçado. E, apesar de não ouvirem a música, eles conseguem sentir”.

Para Luciene Bená, pedagoga da escola, essas aulas fazem muita diferença para as outras disciplinas. “O aprendizado dos alunos não é de imediato, mas quando eles conseguem ter contato com a música e sentir a vibração, é possível ver como eles são capazes de desenvolver a musicalidade”, explica Luciene.

Concertos com audiodescrição

Outro projeto realizado pelo Instituto é a audiodescrição para cegos durantes os concertos. Ou seja, um profissional da área descreve em palavras as imagens que estão acontecendo no momento para os deficientes visuais que estão na plateia. “Assim, eles conseguem ouvir e criar a imagem em tempo real, acompanhando de perto o espetáculo”, ressaltou o coordenador executivo, Deivis Teixeira.

Para Mariana Ferreira, que possui baixa visão, participar do evento foi uma experiência única. “Eu nunca tinha presenciado aqui no estado de Mato Grosso, um projeto tão maravilhoso com audiodescrição. Foi muito importante, principalmente na descrição do que estava acontecendo no palco. Eu pude acompanhar meus filhos. A audiodescrição foi perfeita pra gente poder entender o que está no palco e o que está acontecendo. As pessoas de baixa visão podem sentir de verdade o que está acontecendo ali. Amei”, contou Mariana.

Como participar das aulas

A Energisa é um dos patrocinadores do projeto, que também oferece aulas de violino, viola, violoncelo, contrabaixo, flauta transversal, clarineta, oboé, fagote, trompa, trompete, trombone, bombardino, tuba, percussão, coral e musicalização infantil. “A Energisa tem trabalhado para estar perto da sociedade e participar do desenvolvimento dela. Poder incentivar a musicalização e poder oferecer oportunidades para esses alunos é um investimento no futuro do nosso estado”, comenta Ana Carolina Ribas, gerente de Gestão e Projetos da Energisa.

“Nesses 18 anos, a gente viu de muito perto a importância das parcerias, da compreensão das pessoas e, por extensão, das instituições. Em olhar para esse trabalho e ver que é algo que tem real impacto e querer estar junto. O Instituto Ciranda se sente muito honrado por ter a parceria da Energisa. Especialmente pela proximidade que vem sendo construída”, afirma o maestro Murilo Alves.

Além das aulas, o Instituto também oferece um apoio social para as crianças. Deivis explica que, em muitos momentos, a realidade desafiadora faz com que preocupações podem atrapalhar o aprendizado dos alunos. “A gente procura ter esse olhar lá da realidade de onde ele vive, pra gente conseguir potencializar tudo o que for possível nos momentos das aulas e pra que de fato ele aprenda”, afirma o coordenador Executivo.

Crianças e jovens surdos que desejam participar das aulas também podem participar mesmo que não sejam alunos do CEAADA. Basta os responsáveis procurar o Instituto Ciranda para poder ajustar com a escola o atendimento pelo telefone: (65) 3623-1239.