Parque fundado por apaixonado por aves de rapina é reformado com patrocínio da Energisa

A pessoa é mesmo para o que nasce. No agreste sergipano, o Natal na casa da família Mendonça Costa nunca teria tido nada fora do comum não fossem os pedidos de Percílio ao Papai Noel. Desde pequeno, o caçula de 23 filhos de Dona Maria dizia que queria de presente “coisa viva”. Não lhe interessava uma bola, uma pipa, um peão. Queria bicho. Aos dois anos, ganhou um casal de pombos. Aos quatro, dois patos fizeram sua alegria. Mas foi aos sete que recebeu seu maior tesouro. Trazido por um amigo do colégio, um embrulho feito de folha de bananeira guardava o sonho do menino: um ovo de falcão.

Percílio levou o ovo para casa com o cuidado de quem carrega uma bandeja repleta de taças de cristal. Mostrou a Dona Maria sua joia e, numa cumplicidade entre mãe e filho que perdura até hoje, puseram uma galinha da casa para chocar o filhote. Passaram-se os 21 dias comuns ao nascimento de um pinto, e nada. Os irmãos de Percílio não levaram fé: “não tem nada aí dentro, joga fora”, sugeriram. Mas mãe e filho esperaram. No 28º dia, o ovo eclodiu. Nascia Tito, um carcará amarelo do cocuruto preto, o melhor amigo de Percílio, vivo até hoje.

– Tito me ensinou tudo o que eu sei – conta Percílio. – Ele fazia tudo comigo: dormia na minha cama, passava o dia do meu lado, pra cima e pra baixo. Com ele, aprendi a me comunicar com os falcões, a entender o que eles queriam, a língua que eles falam. Devo tudo ao Tito.

Hoje, aos 46 anos, Percílio é dono do Parque dos Falcões, santuário a céu aberto que abriga mais de 400 aves, entre elas, os primeiros urubus, carcará e coruja brancos do mundo. Localizado ao pé da serra de Itabaiana, a 45 quilômetros de Aracaju, o parque é o único centro de criação, multiplicação e preservação de aves de rapina da América do Sul. Criado por Percílio em 2000, o espaço – único local do país com autorização do Ibama para a criação de aves de rapina – acaba de ser revitalizado com o patrocínio da Energisa, parceira do projeto desde 2013.

Segundo o diretor-presidente da Energisa, Roberto Currais, o parque tem um papel importante na sustentabilidade e preservação da flora e fauna brasileira:

– Nosso compromisso com a sociedade vai muito além de fornecer conforto e segurança por meio da energia elétrica. A Energisa tem o compromisso de apoiar projetos que visam a sustentabilidade e a preservação ambiental em Sergipe. Cada patrocínio, apoio ou doação representa o compromisso da Energisa com o futuro dos sergipanos – afirma Currais.

A companhia de Tito só fez crescer a paixão por falcões que Percílio carregava dentro de si. Aos nove anos, o menino encontrou, junto com a mãe, uma fêmea de falcão, morta a tiros de espingarda, caída perto da casa da família. Apalpando o corpo inerte da ave, os dois perceberam que ela gestava um ovo. Com uma tesoura, Dona Maria cortou a pele do animal e, do ventre da mãe morta, salvou Miúda. A segunda ave de Percílio é a maior reprodutora de que ele já teve notícias, chocando mais de 50 filhotes de falcão.

No final da década de 90, Percílio já criava cerca de 300 aves de rapina, como falcões, gaviões, urubus e corujas. Todas batizadas com nomes. E todas no quintal de dona Maria que, apesar de modesto, era gigante tal qual o coração de uma mulher que criou 23 filhos, entre adotados e biológicos. Era Percílio trazer um animal machucado para a mãe abrir espaço para mais um. Foi quando seu criadouro ficou conhecido na cidade. O homem que cuidava, treinava e amava as aves conquistava outras alturas.

Num boca-a-boca capaz de atravessar o Brasil, Percílio soube que uma pessoa do Rio de Janeiro estava disposta a ajudá-lo a encontrar um espaço maior. Foi quando, em 2000, teve notícias de um terreno de 3500 km² aos pés da montanha de Itabaiana, descrito como seco, imprestável e morto. E, no lugar em que o dono via problema, Percílio enxergou a solução. Comprou o que hoje é o Parque dos Falcões por R$ 4 mil, com as economias de mais de 20 anos de mesada que a mãe lhe dera.

– Eu queria me isolar da humanidade, viver com as minhas aves. Me mudei para lá e com a ajuda dos meus irmãos, do pessoal todo, construímos a minha casa e os viveiros pros bichos – recorda Percílio.

Logo que chegou, cavou a terra com tanto afinco que descobriu um antigo leito de rio, há muito extinto. Percílio tratou de reflorestar o local e, três anos depois, viu o rio renascer.

– Em 2006, no verão mais quente de Itabaiana, durante a seca braba, não tinha água nem no chafariz da cidade. Só no meu rio – orgulha-se.

A partir daí o Parque dos Falcões começou a receber a visita de turistas do mundo inteiro. Em 2013, a Energisa conheceu o projeto e se encantou. Financiou a construção de um auditório de 50 lugares para aulas de adestramento e reflorestamento (antes realizadas dentro da casa de Percílio), além de erguer o pórtico de entrada do parque. Em 2022, o Grupo renovou o patrocínio e deu ao Parque dos Falcões um mirante de observação, placas de sinalização, além de renovar os viveiros das aves, maior desejo de Percílio.

– A Energisa foi a primeira empresa que vestiu a camisa desse projeto. Eu não tenho palavras para agradecer. Reformou os viveiros, construiu o auditório, lanchonete, banheiros, loja de artesanato… Hoje recebo turistas do mundo todo! – comemora Percílio. – Aqui é um lugar de paz. A natureza toda vive em comunhão. Falcão convive com pinto, com pato, ninguém ataca ninguém, porque tá todo mundo bem cuidado, alimentado. Meu maior objetivo é a preservação. Tudo que você dá para a natureza, ela te devolve em dobro. Eu sempre digo: a natureza está precisando de ajuda. Dedique uma hora do seu dia para cuidar dela. Ela te deu a sua vida.

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Instituto Parque dos Falcões

BR-235, s/n – Rio das Pedras, Itabaiana (SE)

Horário: às 9h e às 14h. Todas as visitas devem ser previamente agendadas

Informações e agendamento: (79) 99665-4905 / (79) 99962-8396

Instagram: @parquedosfalcões [https://www.instagram.com/parquedosfalcoes/]